Mapping Voltaire in Portugal and in Portuguese Literature

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Candide, ou l’optimisme (1759)

Title of target text
Cândido

Translator's name
Maria Isabel Gonçalves Tomás

Editing / Production place
Lisboa

Publisher
Publicações Europa-América

Collection
Livros de Bolso Europa-América, nº63

Year of publication / Production
1973

Typeprinted

Archive / Library and call number
BGUC: 6-36-5-63 / BNP: L.66954P

Paratexts
1. «Prefácio do Editor»: «A contradição aparente entre a existência de um Deus infinitamente bom, de quem logicamente era de esperar a criação de um mundo bom e feliz, e a chocante verificação quotidiana do mal físico, com o seu cortejo de sofrimentos e catástrofes, e do mal moral, nas suas diversas concretizações (ódio, injustiça, opressão do homem pelo homem), constitui um enigma que filósofos e teólogos têm, desde tempos remotos, tentado explicar. Rejeitando antigas teorias dualistas que defendiam a coexistência eterna de dois princípios supremos, absolutos e antagónicos (o princípio do Bem e o princípio do Mal), digladiando-se entre si no tablado da história, a teologia cristã soluciona o problema com a doutrina do pecado original, segundo a qual, na origem dos desequilíbrios que afectam a criação, está o mau uso do livre-arbítreo humano.» (p. 7) «Contra este optimismo a todo o preço se insurge Voltaire. Não elaborando um novo sistema filosófico, mas tão-somente deixando gritar a realidade dos factos, num romance curto mas causticamente satírico, em que Cândido, o herói, educado por mestre Pangloss (encarnação grotesca do optimismo), continuamente esbarra contra o muro da maldade humana e tropeça de desgraça em desgraça, no decurso de uma peregrinação pelo mundo que o faz passar por Lisboa, onde é surpreendido pelo terramoto de 1755. (Sublinhe-se a propósito que esta catástrofe emocionou e indignou profundamente Voltaire, que sobre ela escreveu o Poème sur le desastre de Lisbonne e dela fez uma das peças capitais do seu dossier de acusação à Previdência).» (p. 8) «Cândido (…) é pois uma obra polémica contra o optimismo simplista e contra as utopias, uma obra “de uma graça infernal – citamos Madame de Stäel – porque parece escrita por um ser de uma natureza diferente da nossa, indiferente à nossa sorte, contente com os nossos sofrimentos e rindo, como um demónio ou como um macaco, das misérias desta espécie humana com a qual nada tem de comum.».(p. 8-9) 2. Contracapa (excerto do episódio do 1º cap que leva à expulsão de Candide): «Começaram assim as desventuras de Cândido, com escala em Lisboa, onde o surpreende o terramoto de 1755, obriga a reconhecer que, ao contrário do que lhe ensinara Pangloss, este mundo não é afinal o melhor dos mundos possíveis.” (segue-se 1 nota biográfica): “Voltaire (aliás François Marie Arouet) nasceu em Paris, em 1694, e aí morreu, em 1778, sendo privado de sepultura eclesiástica por haver recusado assistência religiosa no leito de morte.. Cedo revelou um espírito independente, cáustico, irreverente e demolidor, que o fez cair alternadamente na graça e na desgraça dos contemporâneos. Na sua vastíssima e variadíssima obra, Voltaire ataca o regime político como fonte de abusos e injustiças, a religião estabelecida, com seus dogmas e fanatismo clerical, a metafísica, que considera fonte de infelicidade para o homem. Embora possamos discordar da sua filosofia política, Voltaire merece a nossa admiração pela sua fé no progresso, pela sua confiança na luz da razão e pelo seu amor à humanidade, que lhe inspira generosos protestos contra a tirania, a guerra, o obscurantismo, a intolerância, a injustiça. Cândido (1759) é uma das mais célebres obras de Voltaire, onde o leitor poderá saborear toda a força da ironia alegre mas mordaz daquele que foi um dos principais percursores da Revolução Francesa.».

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Notas explicativas da tradutora (caráter enciclopédico).

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